segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Faroleiro - Gordurinha

Deixa de contar vantagem
Conterrâneo companheiro
Que eu também nasci no norte
Não sou faroleiro

É muito feio o sujeito
Contar vantagem
Dizer que tem coragem
E na hora correr
É preferível o sujeito calado
Mas ficando aperreado
E fazer o pau comer
É tão bonito assim
O cabra tão aperreado e faz o pau comer

Ainda me lembro
Da Paraíba do Norte
Tive um pega muito forte
Com um Miguelão
Por isso que eu passei dez anos trancafiados
Vendo o sol nascer quadrado
E não conto vantagem não
É tão bonito assim é
Sou um cabra bom danado e não conto vantagem não

Esse criado que tá falando consigo
Nunca teve um inimigo e nem deseja ter
Eu nunca matei cabo, nem soldado e nem sargento
Compadre do Mané Bento que vinha me conhecer
É tão bonito assim é
Esse cabra da peste devia me conhecer

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A velha embaixo da cama - Geraldo Nunes


A véia debaixo da cama
A véia criava um rato
na noite que se danava
o rato chiava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um gato
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um cachorro
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um macaco
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia, o
macaco pulava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um porco
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia, o
macaco pulava,
o porco fuçava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um bode
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia, o
macaco pulava,
o porco fuçava, o bode berrava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um jumento
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia, o
macaco pulava,
o porco fuçava, o bode berrava, jumento rinchava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um leão
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia, o
macaco pulava,
o porco fuçava, o bode berrava, jumento rinchava,
leão
escurrava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criou uma cobra
a cobra mordeu o rato, mordeu o gato, mordeu o
cachorro, mordeu
o macaco, mordeu o porco, mordeu o bode, mordeu o
jumento,
mordeu o leão...
"Mordeu a véia!!! ... A véia!!!
- e o que que houve com a véia cumpadre?
- a cobra mordeu a véia, e a véia morreu... e é só
isso... que
fica pior pra mim.. tchau gente! FUI!!!

sábado, 15 de abril de 2017

Faroleiro

Gordurinha




Deixa de contar vantagem
Conterrâneo companheiro
Que eu também nasci no norte 
Não sou faroleiro

É muito feio o sujeito 
Contar vantagem 
Dizer que tem coragem
E na hora correr
É preferível o sujeito calado
Mas ficando aperreado 
E fazer o pau comer
É tão bonito assim
O cabra tão aperreado e faz o pau comer

Ainda me lembro
Da Paraíba do Norte
Tive um pega muito forte
Com um Miguelão
Por isso que eu passei dez anos trancafiados
Vendo o sol nascer quadrado 
E não conto vantagem não
É tão bonito assim é
Sou um cabra bom danado e não conto vantagem não

Esse criado que tá falando consigo
Nunca teve um inimigo e nem deseja ter
Eu nunca matei cabo, nem soldado e nem sargento
Compadre do Mané Bento que vinha me conhecer
É tão bonito assim é
Esse cabra da peste devia me conhecer