sábado, 3 de dezembro de 2016

Coração Turista

Composição:Nonato Costa / Raimundo Nobre

Saudade eu catalogo, mas paixões eu não mantenho
Que eu mesmo me interrogo quantos corações eu tenho
Que coração é esse que escuta e faz promessas
Desperta o interesse mas depois não se interessa?
Coração que carma você tem,
Que envolve todo mundo e não se envolve com ninguém? 
Meu coração tem sido como músculo de borracha
Que quer ficar perdido toda vez que alguém o acha
Meu coração carente é um cofre de mistério
Brincou com tanta gente que ninguém o leva a sério
Coração que carma você tem,
Que envolve todo mundo e não se envolve com ninguém?
Meu coração tem hora que prefere estar sozinho
Depois chorando implora uma esmola de carinho
De tanta crueldade que meu coração apronta
Virou propriedade que ninguém quer tomar conta
Coração que carma você tem?
Que envolve todo mundo e não se envolve com ninguém?
Com juras ilegítimas, até breve ou talvez
Não tem quem conte as vítimas que meu coração já fez
Meu coração turista, bandoleiro e vagabundo
Promete amor à vista e dá calote em todo mundo
Coração que carma você tem,
Que envolve todo mundo e não se envolve com ninguém?

Com a Banda Mastruz com Leite




sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Me enganei com minha noiva - Amazan


Quando sortero eu vivia, 
Era o maió aperrei
Divido eu sê muito fei
As moça num mi quiria
Quando prum forró eu ia
Cum quarqué amigo meu
Eles confiava n'eu
Ia bebê e dançá
No fim da festa arengá
E quem ia preso era eu

E prá arranjá namoro
Eu toda vida fui mole
Cantei samba, puxei fole
Usei um cabelo louro
A boca cheia de ouro
Chega briava de dia
Quando prum forró eu ia
Cherava cumo uma rosa
Mas quando eu caçava prosa
As moça num mi quiria

Eu dizia é catimbó
Qui arguém butou e num sai
Que mãe casou cum papai
Vovô casou cum vovó
Inté meu irmão chicó
Munto mais fei do qui eu
Namorou, casou, viveu
Cum duas muié, inté
Só eu num acho muié
Que queira se esfregar neu?

Mas deus do céu descuidô-se
Jesus também, se esqueceu
E vicença me apareceu
Cum uns oião de bico doce
Nosso oiá se misturô-se
Que nem feijão cum arroz
Se abufelemo nois dois
Num amô tão violento
Que maiquemo o casamento
Prá quatro dia dispois

No dia de se amarrá
Se arrumou eu e ela
Dei de garra na mão dela
Fui pra igreja casá
Cheguei nos pés do artá
Recebi a santa bença
Jurei num tê desavença
Entre eu e minha esposa
O padre dixe umas cousa
Eu eu fui vivê mais vicença

Cheguei im casa mais ela
Fui logo mi agazaiando
Que mermo eu ia pensando
De drumi com a costela
Vicença fez uma novela
Pru dentro da camarinha
Quebrou uns troço que tinha
Me ameaçou na bala
Findou drumindo na sala
E eu me lasquei na cunzinha

Da vida eu perdi o gosto
Pruquê vicença fez isso
De manhã fui pro sirviço
Mas pra morrê de disgosto
Cheguei im casa o sol posto
Vicença me arrecebeu
Inté um café freveu
Botou pra nós dois ceá
Mas quando foi se deitá
Nem sequer oiou pra eu

De deus eu perdi a crença
De nome chamei uns trinta
Botei a faca na cinta
Fui cunversá com vicença
Vicença deu a doença
Quando eu falei im amô
E preguntô - o sinhô
Pensa qui eu sou o quê
Só me casei cum você
Pra lhe fazê um favor

Bati cum ela no chão
Puxei a lapa de faca
Cortei-lhe o cós da casaca
E o elastro do calção
Vicença tinha razão
De num querê bem a eu
Num era cum nojo deu
E nem pruquê fosse séra
Sabe vicença quem era?
Era macho qui nem eu

Eu munto me arrependi
Pruquê me casei cum ela
Falei logo cum o pai dela
E de manhã devorvi
Grande desgosto senti
Que quage murria, inté
Home em traje de muié
Tem munto de mundo afora
Só caso com ôta agora
Sabendo logo quem é