sábado, 15 de abril de 2017

Faroleiro

Gordurinha




Deixa de contar vantagem
Conterrâneo companheiro
Que eu também nasci no norte 
Não sou faroleiro

É muito feio o sujeito 
Contar vantagem 
Dizer que tem coragem
E na hora correr
É preferível o sujeito calado
Mas ficando aperreado 
E fazer o pau comer
É tão bonito assim
O cabra tão aperreado e faz o pau comer

Ainda me lembro
Da Paraíba do Norte
Tive um pega muito forte
Com um Miguelão
Por isso que eu passei dez anos trancafiados
Vendo o sol nascer quadrado 
E não conto vantagem não
É tão bonito assim é
Sou um cabra bom danado e não conto vantagem não

Esse criado que tá falando consigo
Nunca teve um inimigo e nem deseja ter
Eu nunca matei cabo, nem soldado e nem sargento
Compadre do Mané Bento que vinha me conhecer
É tão bonito assim é
Esse cabra da peste devia me conhecer




quinta-feira, 13 de abril de 2017

Gírias do norte - Jacinto Silva


O zé do brejo quando se casariou

Ele me convidariou pr'uma quadrilha eu marcaria

Marcariei uma quadrilha ritmada

Foi até de madrugada todo mundo com seu parear

Alavantiú, chá de dama na rariê

Cantei coco pra valer

Todo mundo com seu parear

Cantariei na festa de casamento

Da filha de pedro bento na fazenda caiucariá

O zé do brejo noivo muito animado

Logo depois de casado me pediu para cantaria

Me perguntaram por que é que eu canto assim

Eu então lhe respondi: é porque a minha língua não dariar

Esse negócio de dizer alavantú, chá de dama, rariê

Eu posso me atrapalhariá

CIA DE DANÇA POPULAR DE OURICURI - XAXADO


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Serestas



Quis conter-me mas não pude
Revoltado com a atitude
Dessa gente "original"
Que pensa ser incomum
E julga todos por um
E prega sem ter moral
Insensatos pregadores
Esses cruéis degradores
Agem quase sempre assim
São imbecis personagens
Molares das engrenagens
Que vão roubá-la de mim
Nas suas opiniões
Eu tenho dois corações
Cada qual amando mais
Diz alguém mais "entendido"
Que eu tenho um só dividido
Em duas partes iguais
Não os temo e nem me assusto
Mesmo sabendo que o justo
As vezes paga pelo pecador
Pois quem não deve não medra
Que atire a primeira pedra
Quem não errou por amor


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Serestas

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Mulher Comprometida - Flávio José



Nem toda comida oferecida a gente come
Mulher comprometida casada pra mim é homem

Pode olhar pra mim e tentar me seduzir
Que eu nem tô aí, eu faço que nem vejo
Pode mandar beijo pisar no meu coração
Eu não dou atenção, embora morra de desejo
Que nem rato no queijo, que bota pra roer
Eu não quero querer posso me acabar de fome
Nem tudo a gente come no decorrer dessa vida

Mulher comprometida casada pra mim é homem

Gosto de mulher não tem coisa melhor
Gosto de forró dançar agarradinho
Colado coladinho pró suor escorrer
Ver dia amanhecer sempre naquele miudinho
Mas eu sou direitinho não sou paquerador
Eu quero é um amor pra lhe dar meu sobrenome
O desejo me consome mas eu não lhe dou guarida

Mulher comprometida casada pra mim é homem

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016