sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A velha embaixo da cama - Geraldo Nunes


A véia debaixo da cama
A véia criava um rato
na noite que se danava
o rato chiava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um gato
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um cachorro
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um macaco
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia, o
macaco pulava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um porco
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia, o
macaco pulava,
o porco fuçava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um bode
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia, o
macaco pulava,
o porco fuçava, o bode berrava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um jumento
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia, o
macaco pulava,
o porco fuçava, o bode berrava, jumento rinchava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criava um leão
Na noite que se danava
O rato chiava, o gato miava, o cachorro latia, o
macaco pulava,
o porco fuçava, o bode berrava, jumento rinchava,
leão
escurrava
E a véia dizia:
Ai meu Deus se acaba tudo
Tanto bem que eu te queria

A véia debaixo da cama
A véia criou uma cobra
a cobra mordeu o rato, mordeu o gato, mordeu o
cachorro, mordeu
o macaco, mordeu o porco, mordeu o bode, mordeu o
jumento,
mordeu o leão...
"Mordeu a véia!!! ... A véia!!!
- e o que que houve com a véia cumpadre?
- a cobra mordeu a véia, e a véia morreu... e é só
isso... que
fica pior pra mim.. tchau gente! FUI!!!

sábado, 15 de abril de 2017

Faroleiro

Gordurinha




Deixa de contar vantagem
Conterrâneo companheiro
Que eu também nasci no norte 
Não sou faroleiro

É muito feio o sujeito 
Contar vantagem 
Dizer que tem coragem
E na hora correr
É preferível o sujeito calado
Mas ficando aperreado 
E fazer o pau comer
É tão bonito assim
O cabra tão aperreado e faz o pau comer

Ainda me lembro
Da Paraíba do Norte
Tive um pega muito forte
Com um Miguelão
Por isso que eu passei dez anos trancafiados
Vendo o sol nascer quadrado 
E não conto vantagem não
É tão bonito assim é
Sou um cabra bom danado e não conto vantagem não

Esse criado que tá falando consigo
Nunca teve um inimigo e nem deseja ter
Eu nunca matei cabo, nem soldado e nem sargento
Compadre do Mané Bento que vinha me conhecer
É tão bonito assim é
Esse cabra da peste devia me conhecer




quinta-feira, 13 de abril de 2017

Gírias do norte - Jacinto Silva


O zé do brejo quando se casariou

Ele me convidariou pr'uma quadrilha eu marcaria

Marcariei uma quadrilha ritmada

Foi até de madrugada todo mundo com seu parear

Alavantiú, chá de dama na rariê

Cantei coco pra valer

Todo mundo com seu parear

Cantariei na festa de casamento

Da filha de pedro bento na fazenda caiucariá

O zé do brejo noivo muito animado

Logo depois de casado me pediu para cantaria

Me perguntaram por que é que eu canto assim

Eu então lhe respondi: é porque a minha língua não dariar

Esse negócio de dizer alavantú, chá de dama, rariê

Eu posso me atrapalhariá

CIA DE DANÇA POPULAR DE OURICURI - XAXADO


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Serestas



Quis conter-me mas não pude
Revoltado com a atitude
Dessa gente "original"
Que pensa ser incomum
E julga todos por um
E prega sem ter moral
Insensatos pregadores
Esses cruéis degradores
Agem quase sempre assim
São imbecis personagens
Molares das engrenagens
Que vão roubá-la de mim
Nas suas opiniões
Eu tenho dois corações
Cada qual amando mais
Diz alguém mais "entendido"
Que eu tenho um só dividido
Em duas partes iguais
Não os temo e nem me assusto
Mesmo sabendo que o justo
As vezes paga pelo pecador
Pois quem não deve não medra
Que atire a primeira pedra
Quem não errou por amor


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